segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Eu cá sou como o Garfield e odeio segundas feiras

Estamos no início da semana dois da maldita dieta! Coisas fantásticas estão para acontecer – ou não. Veremos. Mas, antes disso, resumo do fim-de-semana:  
·        Sábado – Pão de sementes com queijo fresco de barrar ao pequeno-almoço; bifinhos de frango com caril e batata-doce ao almoço, seguidos de gelatina 0 açúcares com natas de soja, amoras e morango. Lanche - aqui é que foi a desgraça – gelado de pistaccio e gianduia da Nanarella <3. Era epicamente grande e delicioso e eu devorei-o como se a minha vida dependesse disso – no shame. Ao jantar, massa de arroz com vegetais e molho de soja – nada demasiado intenso.
·        Domingo – Pão de alfarroba com queijo fresco de barrar ao pequeno-almoço outra vez, porque sou uma moça extremamente original. Almoço: cachorro gigantesco com batatas fritas no Frankie. Eu sei, eu sei que devia sentir-me culpada uma vez que só neste almoço aspirei uma quantidade de calorias suficiente para alimentar uma família inteira, mas se querem saber, não sinto nem um pinguinho de culpa. Nem um! Ao jantar, bacalhau desfiado com cebola, pimento, salsa e tomate, acompanhada de… rodelas de pepino, foi o reinício do meu calvário. E sim, confesso, antes de jantar bebi um gin tónico.
E com isto dou por mim, então, na segunda-feira. O início foi fácil, nada de novo, pffft, já fiz isto a semana passada.
Pequeno-almoço: Pão escuro com uma fatia de queijo e uma de mortadela de peru, um copo de água e um café. A meio da manhã comi uma mação, porque sou muito bad-ass!
Cafés: Variadíssimos! Toda eu sou café – não sei como ainda não me saltou um olho da órbita e se pôs a correr na direcção do sol-posto.
Almoço: O mesmo bacalhau do jantar de ontem, acompanhado por 2 ovos cozidos (sim, dois, ai o meu colesterol etc., etc.) e uma salada, desta vez de alface+tomate+pepino, em mais uma ode à minha florescente criatividade.
Meio da tarde: Um queijinho e uma cenoura, até agora. Mas quer parecer-me que ainda vou ali comer uma gelatina só para fazer de conta que é um doce.
QUERO TANTO UM CROISSANT COM CHOCOLATE QUE MATAVA POR ISSO.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Eu cá sou como a pêga

Cara única seguidora, pessoas que dão com este blog acidentalmente, ninguém: este será um post que não fala sobre comida.
A dieta corre bem, obrigada. Mas o que eu queria hoje partilhar aqui é a herança genética que partilho com essa nobre ave, a pêga.
*Inserir piada básica acerca de pêga ser um eufemismo comum para prostituta.*
*Rir baixinho com a própria piada.*
*Tossicar.*
Ora a pêga, esse bonito animal, que além de serNew-York chic por causa do modelito preto se conta entre as aves mais inteligentes do Mundo, tem a particularidade de ser completamente obcecada com objectos brilhantes. Em nome do amor ao glitter e sem se incomodar com a fama de gatuna e materialista que as inimigas lhe atribuem , vive em busca de traquitana para alindar o seu ninho: caricas, moedas, fios brilhantes, papeis de rebuçado, tudo serve pra dar aquele toquezinho de glamour à morada do bicho.
Ora atenta no olhinho da bicha a rebrilhar ali na imagem em baixo: claramente avistou uma embalagem de Bollycao ao contrário, e está já a imaginar o design das cortinas.
Ora eu sou como a pêga.
E já era assim com dez anos, quando a minha pobre mãe caiu na asneira de me oferecer uma espécie de creme de brilhantes azulados com estrelas prateadas – um sonho! Era como ter um passaporte para ser uma sereia quando me apetecesse – e obviamente, apeteceu-me todos os dias sem excepção até terminar o boião. Durante meses a fio, lá ia eu para o colégio com as pálpebras orgulhosamente barradas de purpurinas e estrelinhas, a sentir-me mágica e espetacular.
Como podem imaginar, os mais contentes com isto foram os meus colegas. Pois haverá melhor presente pra uma cambada de putos do 5º ano do que uma fonte inesgotável de gozo? Claro que não.  
Ainda hoje, não posso entrar numa loja que não vá a correr histericamente para a primeira prateleira que tenha items prateados, dourados ou brilhantes. O pior é que esta corrida é, regra geral, acompanhada de gritinhos histéricos e rápidas contas de cabeça, na tentativa de encontrar rendimento disponível para desperdiçar no dito item brilhante.
Tenho inclusivamente amigas que, já conhecedoras desta faceta do meu ser, me agarram no braço nestes momentos e dizem, em tom conciliador:
_ I, não te enerves, mas estão ali coisas douradas. Calma.
Mas a taxa de sucesso destes fraternais conselhos é próxima de zero. Como resultado, tenho de momento 4 t-shirts prateadas, 2 tops dourados e 2 sandálias com glitter.  
Hoje cheguei ao trabalho com uma t-shirt prateada e a minha chefe pergunta : ‘ Onde é a festa?’. Estive quase para perguntar se ela queria um convite paraa festa mas achei melhor não.
A mesma t-shirt prateada encheu-me a cadeira de escritório de purpurinas aqui há umas semanas. E diz uma colega minha, de sorriso aberto:
- Agora sim, I. Maria, essa é a sua cadeira!

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

post abaixo é de ontem, que escrevi e me esqueci de publicar – clássico.
Hoje infelizmente não me sinto capaz sequer de tentar ter piada uma vez que estou enjoada e com dores de barriga, brinde do jantar maravilhoso e mega picante de ontem no chinês clandestino.
Mas não pensem que pequei, não! Jantei camarão picante e couve salteada! O que, em retrospectiva, não foi uma ideia assim tão boa quanto isso. A minha barriga acabrunhada que vos diga.
Também não furei a dieta ao lanche, muito embora tenha tremido de inveja quando a Daisy entra na Padaria Portuguesa e, toda afoita, pede um croissant misto com manteiga e um sumo de laranja… Foi uma provação que superei graças ao meio frasquinho de tremoços que aspirei acompanhado por uma fatia de fiambre que ela, amorosa, me deu.
O pior foi o copito de vinho tinto à refeição. Mas também foi só um, e assim como assim podia ter sido muito pior.
Fiquem com o calvário de ontem, e eu juro que mal esteja melhor venho aqui arengar outra vez.
“Vá malta, (quer dizer, única seguidora) hoje vamos fazer as coisas de outra maneira, tá?
Em vez de chegar às três e tal e despejar um balde de queixumes, vou executar o dumping de queixumes a conta-gotas.
09:42 – Acabei de comer o pequeno-almoço, um pão de sementes, meio queijo fresco e uma fatia de fiambre de perú. Fiquei com fome, claro. O que só vem reforçar a já conhecida noção de que sou uma debulhadora com pernas :D.
Além disto, decidi adicionar uma maçã por manhã, porque senão sou demasiado infeliz e não há-de ser por aí que o gato vai às filhós, filhoses, ou lá como se diz.
Veredicto:  EU AMO PÃO. PÃO FOREVER.
Cafés até agora: um, e não chega. Agora com licença, que vou esbardalhar com a testa no teclado, tal é o sono que me acossa.
12:00 – Abro o tupperware (dos fancy, de vidro!) junto a umas colegas, que arregalam os olhos de incredulidade. Salteado de couve com pimento e cebola, frango de churrasco (restos do almoço do B no domingo) e uma fatia de queijo magro em cima e uma água das pedras. Estou cheia de fé, não estou com fome, é agora que isto engata!
14:00 – Uma amiga manda-me mensagem a perguntar se quero ir beber copos mas a cerveja engorda. É a segunda vez desde ontem que alguém me desafia para cervejas e começo a desconfiar que haja uma cabala universal para me manter gorda.
15:00 – Um amigo pergunta-me se esta dieta ‘é legal’ e aconselha-me a ‘não me matar’. Isto é que é reforço positivo!
15:05 – Vou mandar isto tudo prá viola e comer uma pratada de arroz! A minha colega falou-me agora de arroz de passas e quero chorar.
16:00 Já comi uma gelatina com iogurte e estou a MORRER de fome. É bom que esta porra de dieta funcione caso contrário vou entrar em berzerk. Pedi à minha colega que foi lanchar que me trouxesse um iogurte, mas honestamente o que me apetecia era um pão com manteiga… vamos não pensar nisso, por favor.
Cafés: 3, perfazendo um total de meio pacote de açúcar. Not bad.
Mas vá, há coisas piores.”

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Ora, estamos no dia #2, o qual para ser honesta está a ser significativamente menos espectacular que o dia #1.
Ontem ao jantar, após uma épica caminhada com uma amiga – parecendo que não, ainda foram 10 km! – dediquei-me à bonita arte da cozinhação.  
Não tinha grande leque de vegetais à escolha porque, por ser feriado, a frutaria do bairro não abriu. Assim, vi-me forçada a cometer um dos maiores pecados do Livro das Pessoas que Gostam de Vegetais : comprá-los no Continente. Digam-me o que quiserem, odeio vegetais do Continente – têm todos um ar amassado e deprimido, estão quase sempre cravejados de moscas, sabem a água e são, na generalidade, foleiros. Porém, em tempo de guerra qualquer buraco é trincheira: tive de me resignar a lá ir safar um saquinho de salada e dois tomates que eram os únicos que pareciam não estar perigosamente enfermos.
Quando cheguei à cozinha e avaliei a situação, decidi usar um dos tomates para fazer salada para o almoço de hoje e guardar o outro. Apetecia-me *inovar*, por isso saquei de uma embalagem de Konjac (ou slim pasta) que lá tinha no fundo de um armário, e fazê-lo com carbonara de abacate, para dar uma gracinha. A isto juntei um bocado de pescada grelhada com limão, et voilá!
Não ficou horrível, de modo que trouxe o mesmo para o almoço, muito bem acondicionadinho numa caixinha dentro da lancheirinha.
*Momento revelação*: Konjac é absolutamente detestável. Cheira a peixe podre de tal modo que é preciso passar água durante um minuto antes de remover a mola da roupa do nariz em segurança. Quanto à textura, nem vale a pena descrevê-la. Fiquem só a saber que faz-me recordar a infância, mais especificamente a cena do Rei Leão em que o Simba diz “Viscoso, mas gostoso!”. Dito isto, se for bem disfarçado, come-se. E comeu-se!
Fast forward para o dia de hoje:
·        Pequeno-almoço: Omolete (1 ovo + 1 clara) + restos da pasta de abacate do jantar + 1 fatia de mortadela de peru;
Veredicto: Enjoo para o dia todo. Enjoo, dor de barriga, enjoo, etc.
·        Cafés: 3 até ao momento. O meu estômago não está a tolerar qualquer tipo de contacto com o mundo real.
·        Água: eu sei lá – litros? Bué d’água.
·        Água das pedras: uma, ao almoço, numa tentativa frustrada de acalmar o Kraken com TPM que decidiu acampar nas minhas entranhas.
·        Almoço: Algum dia eu ia repetir a dose de ontem?! NEM PENSAR. Em momento de desespero, fui à rua e comi uma sopa miso + salada de couve crua com salmão cru e ovinho de codorniz (este sim, cozido, que a minha apetência para a dieta crudívora não vai tão longe).
Veredicto: Super bom, claro. Mas não apreciei devidamente porque a) doía-me a barriga e b) espetei uma nódoa de molho de soja no meu vestido vermelho novo.
Repito : espetei uma nódoa de soja no meu vestido vermelho novo.
*emoji a chorar*
Até agora está a ser um dia espectacular.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Começa hoje a minha dieta número 36564613168,57255.
Durante 15 dias, duas semanas, 30 x 12 horas, uma eternidade, nada de hidratos de carbono aqui pra menina, ah pois é.
Toma, que é para aprender a não encher a cara de bolo mármore coroado a fruta e empurrar com um pastelinho de Vouzela! Toma, que é para aprender que de nada serve comer quinoa ao almoço para depois aspirar em tempo record um gelado cheio detoppings depois do jantar. Toma, que é para aprender que quando se nasce sob o signo da esfera não se pode malhar pacotes de batatas fritas como se elas fossem um campo de milho e nós a debulhadora.
Querida dieta, espero conseguir ser-te fiel. Darei o meu melhor por ti, por mim, por nós.
Juro!, as outras dietas não significaram nada para mim.
Desta vez é que é sério.
De modo a manter a minha fidelidade, vou tentar (tentar!) manter aqui um log diário do que como. É extremamente desinteressante? Talvez não malta, talvez não….
Ora hoje, 15/08/2016 é o Dia #1 , são praí 15:30 e aqui vai a lista do meu consumo calórico até ao momento:
·        Aveia com leite de amêndoa e canela ao pequeno-almoço.
Veredicto : HORROROSA. Eu até costumo comer aveia, mas em versão tunning: com fruta e iogurte e frutos secos e tal. Aveia nestas condições, é pior que o porridge que davam ao desgraçado do Oliver Twist. É criminoso. É matéria de estudo por parte da Amnistia Internacional.
·        Hambúrguer grelhado com salada e uma fatia de queijo light.
Veredicto: Comeu-se. Porém, no interesse da honestidade e da transparência, vale a pena referir que chamar salada àquela mistela de tomate, pepino e abacate, que eram os 3 vegetais desgarrados que sobreviveram ao fim de semana no fundo do meu frigorífico, é no mínimo dourar a pílula.
·        Água : mil litros. O que obviamente resultou em mil xixis – a malta do trabalho qualquer dia acha que tenho uma doencinha do foro renal.
·        Cafés: 4 so far. Mas com açúcar, que uma gaja não é de ferro. Nos quatro no total, usei menos de um pacotinho e se querem saber sinto-me a maior.
Mentira. Sinto-me um bocado azamboada, mas deve ser da falta de açúcar no sangue, ‘tá-se bem.
Wish me luck!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A epopeia de tentar ser saudável ou Como eu quase fiquei debaixo dum carro por não ter força nas pernas

Esta cena de ser saudável está na moda e, surpreendentemente, este facto já não é capaz de me fazer subir o nível de ódio até aos píncaros que anteriormente atingia.
A minha resposta à desconcertante pergunta que toda a gente aparenta querer fazer a todo o resto da gente, "Vais treinar?", costumava ser algo nas linhas de "Morre.". Mas já não me incomoda!
Pior, acho que estou a alinhar nisto de comer-feno-e-suar-por-opção. Se calhar é o meu lado campestre?
Mas bom, eu explico.
Quem me conhece sabe que sou uma moça pouco dada a actividade* física ou a qualquer actividade que requeira mais do que três movimentos seguidos. Aliás, na minha juventude, fiquei conhecida como a miúda com mais imaginação para inventar desculpas que permitissem ficar sentada a olhar durante a educação física. Além das mais banais como "dói-me a barriga" e "sou asmática", há duas ocasiões que me ficaram para sempre gravadas no coração com aquela marca que apenas os momentos bonitos sabem deixar:

1) A vez em que andava no Colégio e tinha um professor de Ed Física que era o epítome do grunho e com o qual resolvi ser subtil ao dizer que estava com o período - que, como toda a gente sabe, é maleita que impede uma gaja de fazer seja o que for...que não lhe apeteça.
Eu: Professor... não posso fazer aula. Estou a ter uma...bem...uma semana difícil.
Prof: Han?! De que é que estás a falar?! É segunda-feira!
Eu: Pois Professor, mas eu estou naqueles dias do mês... - (neste ponto já a minha cara começava a ganhar aquele saudável tom de vermelho que, já agora, é mais uma razão para eu odiar mexer-me.)
Prof: Que dias do mês?! Mas agora há dias do mês p'ra fazer ginástica? És fina!
Eu (Em desespero de causa e já a passar do vermelho ao azul): Oh Professor, é que o Benfica joga em casa!
Prof: Que tenho eu a ver com isso?! Sou do Sporting! Tá a andar!

Pausa para dizer que não me esquecerei nunca das suas trombas , Professor P.F. nem do seu nome e um dia vingar-me-ei de si with fire and blood. Adiante.

2) O segundo momento memorável foi quando queimei o antebraço esquerdo todo ao ir contra a minha tia avó que transportava uma cafeteira de água fervente. Doeu um bocado, mas valeu a pena pelo que se passou a seguir. Foi glorioso: eu, de braço todo ligado, colegas à volta a demonstrar apoio, a entrar pelo Pavilhão adentro e dizer "Professor, o médico disse que não posso fazer Ginástica." - ahhh, a satisfação! A magia!

Portanto, e para resumir, o trauma de aturar o Prof. PF acompanha-me desde os tempos da Primária até aos dias de hoje . Graças a este homem detestável, passei o Ciclo a inventar desculpas e o Secundário a ir para o café comer bolos em vez de ir às aulas de Ed. Física. Já nos primeiros anos de faculdade, fui feliz e livre enquanto enchia o bandulho de crepes com chocolate e cerveja aos potes, actividades estas que me transformaram numa versão modernizada das meninas que Rubens pintava ou daqueles esculturas da deusa da fertilidade que os nossos antepassados esculpiam e que surgem nos livros de História no 5º ano, fazendo os rapazes pré-púberes desatar à cotovelada porque "elas têm as mamas à mostra".

Só que eventualmente uma pessoa começa a ganhar juízo e a olhar ao espelho com maior atenção. Não que o escrutínio da minha imagem ao espelho não tenha feito desde sempre parte do dia-a-dia, acompanhado duma ladainha de "ai que nojo estou tão gorda".Facto é que com a idade vem uma nova modalidade de auto-observação. "Podia melhorar isto, diminuir aquilo... isto pode ficar, do mal o menos", e por aí fora. Uma atitude mais pro-activa, se quisermos.
Tentei inscrever-me num ginásio chique e odiei tudo nele, desde o cheiro ao ar de casa de banho gigante às pessoas esquisitas que lá andavam. Vamos lá falar a sério, quem é que vai p'ra passadeira em mini short e tirinha de borracha a tapar o peito (aquilo nem chega a ganhar estatuto de top), longos cabelos soltos e toda maquilhada? A sério?!
Tentei o yoga, que adorei, mas a senhora que dava aula era arraçada de Dementor e estava apostada em sugar-me a alma. Desisti do yoga e nunca mais voltei, resistindo à vontade de mandar a auto-preservação à viola e aturar a senhora numa de "gosto tanto da aula e assim como assim é só uma SMS por dia.".
Já quis correr mas falemos com honestidade: eu, a sair de casa sozinha depois do trabalho para ir correr? Correr para lado nenhum? Algum dia isso vai acontecer?
Em suma, agora inscrevi-me noutro ginásio e decidi tentar uma nova estratégia. Não vou a casa antes. Não vou às malfadadas máquinas. Vou fazer aulas e aguentar como uma linda menina a frustração de ter mais ou menos a forma física de uma enguia já em estado de caldeirada e de ser muito basicamente incapaz de executar qualquer tipo de sequência de movimentos coordenados. E vou duas vezes por semana.
Entre inscrever-me e efectivamente ir, passou-se uma semana. Hoje foi o primeiro dia.
Lá fui eu toda contente depois do trabalho, por ali fora, a ter comigo mesma uma animada conversa de incentivo, a tentar parecer confiante e ao mesmo tempo a preparar-me para tudo ser um absoluto desastre. Assim, de acordo com os meus próprios desígnios, tirei logo uma senha para uma aula - "Blast Total". É verdade que isto diz absolutamente zero sobre o conteúdo da aula mas no site dizia algo acerca de alongamentos e tal  e eu pensei "hmm, não pode ser muito diferente do yoga".

MEU DEUS COMO EU ESTAVA ENGANADA.

A parte boa é que durou 30 minutos e eu cheguei ao fim tendo feito (mal e porcamente) cerca de 95% dos exercícios.
A parte má é que quase toda a aula se compõe de saltos e saltinhos e houveram momentos em que acreditei que me ia ficar ali. Qual quê deixar de fumar torna tudo mais fácil? A minha capacidade para executar exercícios cardio é nula, meus amigos, e durante a maior parte do tempo acho que estive de boca escancarada a tentar sugar oxigénio e a falhar redondamente.
Quando cheguei ao fim parecia que tinha saído de uma batalha campal e sentia-me igualmente vitoriosa - parece que esta teoria de fazer as coisas até ao fim, por mais terríveis que sejam, até faz sentido. A instrutora, uma mulher baixinha, magrinha e super musculada que passou a aula a dizer "Vamos lá Inês!!" perguntou-me como me sentia e eu respondi "Estou viva!Vemo-nos para a semana". O ar incrédulo dela espantou-me... mas só até chegar ao balneário.
Estão a ver quando cortamos uma beterraba e as mãos ficam tão cheias de vermelho que só parece que acabamos de praticar um homicídio em primeiro grau com AS UNHAS??? Era dessa cor que estava a minha cara. Não! não só a cara, o pescoço também! Encolhi os ombros e dediquei-me à humilhante tarefa de tentar vestir umas calças justas num corpo encharcado de suor - para quem não sabe, tenho horror a casas de banho públicas sejam elas de que natureza forem e recuso-me portanto a tomar banho num balneário.
A prova fora superada! Senti-me capaz de fazer algo parecido várias vezes por semana! Parece que respirava melhor!
Dirigi-me numa passada confiante para a saída e estava tudo a correr pelo melhor - mesmo com a cara a  rebentar de calor e vermelhidão - quando me deparo com as escadas que é preciso descer para sair do ginásio.
Foi aí que as pernas falharam.
Os joelhos cederam.
Agarrei-me de forma incerta a um corrimão enquanto procurava olhar em frente e manter a dignidade.
Desisti da dignidade e agarrei-me com as duas mãos como se a minha vida dependesse - e dependia! - disso.
Endireitei-me e saí dali p'ra fora, mas as pernas continuaram a falhar e a dobrarem-se a seu bel-prazer.
Deve ter sido tão engraçado ver-me trotar avenida afora, rubra como o um tomate fluorescente, cheia de sacas e sacolas nos dois braços e a saltitar deficientemente.
TÃO ENGRAÇADO.


Segunda feira vou lá outra vez.


*Não, eu não aderi ao novo acordo ortográfico. Há modas e modas, meus amigos, e eu gosto de pôr letras que não se lêem - é o sórdido segredinho que partilho com as palavras.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A culpa nem foi minha, eu juro (!)

Esta coisa de começar um blog em 2015 devia dizer muito pelo menos acerca da minha irremediável tendência para ser antiquada.
"Quem é que se dedica a começar um blog em 2015? Mas esta miúda viveu num bunker nos últimos 10 anos?" - ah, até parece que consigo tocar nas vossas sobrancelhas retorcidas em descrença total.
Não as deixem fugir testa afora na direcção do infinito, amigos!, esta mania de ser retro já era minha muito antes das hordas de hipsters em fúria conquistarem o Mundo.
Podia ter sido pior, eu podia ter começado a escrever um diário, ou a copiar antigas listas telefónicas (e não, não me recordo de algum dia ter feito isso em pequena na sala da minha avó enquanto via a "Grande Noite" com o João Baião aos pulos num inferno de lantejoulas e glitter).
E desta vez a culpa nem foi minha, eu juro - normalmente até é.
A culpa desta vez foi da Sofia.
A capacidade que as amigas dos tempos do arco da velha têm de vir desenterrar as nossas antigas habilidades é incrível. Como é que a mera existência de um blog escrito por esta criaturinha de Cristo me fez achar que era uma ideia genial juntar mais umas horas às já terríveis 40 horas de computador que tenho de gramar semanalmente? Mistério.
Bastou lê-lo e achar que estávamos outra vez nas cadeiras do lado novo do colégio a construir conspirações com base em canetas coloridas com cheirinho."Tu ainda tens dessas canetas?" "Não, achas? Já não tenho 12 anos..." respondo eu corada como uma maçã camoesa enquanto escondo disfarçadamente as milhentas canetas que ainda tenho, fruto de momentos de menor auto-controlo na secção de papelaria do Continente.
Mas adiante com a parte nostálgica da coisa.
Agora eu tenho um blog - aha! É terapêutico. É divertido. Alivia o stress. Eu trabalho como uma mula, mas tenho demasiado tempo livre, que é o paradoxo mais secante que possam imaginar. E parece mesmo que ainda estou a trocar bilhetes coloridos e cheirosos com a Sofia. Raios, lá está a sacana da nostalgia! Xô!
Em suma, aqui hei-de desperdiçar o meu abundante tempo livre a despejar ideias várias, memórias e histórias que espero terem alguma piada. Mas, principalmente, devo admitir que o mais provável é que metade do que vou pra'qui escrever vai descambar no comício... Acreditem que entre o quinto e o sétimo post o título que escolhi será bastante auto-explicativo!
Se há coisa em que sou mestra, é na fina arte de odiar saudavelmente - a sério, perguntem a quem quiserem!
A vocês, máximo de 3 pessoas com quem terei coragem te partilhar o link para esta ETAR de pensamentos, um grande bem-haja como se diz na minha terra. A amizade é de facto uma coisa muito linda. E por favor não contem a ninguém que a doida da rapariga resolveu criar um blog em vez dum Tumbler (?) ou o que quer que seja que os miúdos fixes andam a criar hoje em dia.
*Pausa prolongada para recordar os saudosos MySpace, Hi5 e Deviantart, onde todos partilhámos bem mais do que devíamos.*

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Já vi que ficaram todos muito abananados ao tentarem regressar à vossa antiga página de Hi5 e descobrirem 10 mensagens de moços garbosos do hemisfério sul a quererem travar conhecimento para amizade ou algo mais.
Prolonguemos então a pausa até um próximo post, para que todos possamos recuperar do baque.